A maioria dos vendedores escolhe o regime tributário uma única vez — no dia da abertura do CNPJ — e nunca mais revisa. O problema é que faturamento muda todo mês, e o regime que era o mais barato no primeiro ano pode estar custando caro demais dois anos depois, sem ninguém perceber. Este artigo explica os 4 regimes que um seller de Mercado Livre pode encontrar pela frente e quando cada um faz sentido.

Isto é conteúdo educativo geral, não uma recomendação fechada para o seu caso. A decisão final de migrar de regime deve sempre passar pelo seu contador — os números aqui servem para você chegar nessa conversa sabendo o que perguntar.

Os 4 regimes, em resumo

RegimePara quemLimite de faturamento (12 meses)
MEIOperação pequena, iniciandoR$ 81.000
Simples NacionalMaioria dos sellers em crescimentoR$ 4.800.000
Lucro PresumidoMargem alta ou operação que ultrapassou o SimplesR$ 78.000.000
Lucro RealMargem baixa/operação grande, ou obrigatório por leiSem limite (obrigatório acima de R$ 78 milhões)

MEI — o ponto de partida, com um teto rígido

O Microempreendedor Individual paga uma guia mensal fixa (DAS-MEI), muito abaixo da carga de qualquer outro regime — mas o teto de faturamento é de R$ 81.000 em 12 meses (R$ 6.750/mês em média). Ultrapassar o teto obriga a migração para o Simples Nacional, e ultrapassar em mais de 20% pode gerar desenquadramento retroativo ao início do ano-calendário, com cobrança de diferença de impostos.

MEI também tem restrição de CNAE e de número de funcionários (no máximo 1). Para quem está testando o Mercado Livre como canal de vendas, é o regime mais barato para começar — mas quem já está perto do teto precisa monitorar isso mês a mês, não só no fechamento do ano.

Simples Nacional — o regime da maioria dos sellers

É onde a maior parte dos vendedores de Mercado Livre em crescimento se encaixa. A alíquota não é fixa: cresce por faixas de faturamento acumulado nos últimos 12 meses (RBT12), dentro do Anexo I (comércio), que é o que geralmente se aplica a quem revende produtos no marketplace.

FaixaReceita bruta atéAlíquota nominal
1ª faixaR$ 180.0004,0%
2ª faixaR$ 360.0007,3%
3ª faixaR$ 720.0009,5%
4ª faixaR$ 1.800.00010,7%
5ª faixaR$ 3.600.00014,3%
6ª faixaR$ 4.800.00019,0%

A pegadinha mais comum: a alíquota nominal da tabela não é o que você efetivamente paga. A alíquota efetiva usa uma fórmula com parcela a deduzir — na prática, quase sempre fica abaixo da nominal da faixa. Quem calcula "de cabeça" usando só a alíquota nominal tende a superestimar o imposto devido e pode tomar decisão de migração de regime baseada num número que nunca foi o real.

Fórmula da alíquota efetiva: [(RBT12 × Alíquota Nominal da faixa) − Parcela a Deduzir] ÷ RBT12. É essa conta — não a alíquota da tabela isolada — que decide se o Simples ainda compensa.

Acima de R$ 3.600.000 de RBT12, ICMS e ISS passam a ser apurados fora do DAS (sublimite), o que já é um sinal de que vale reavaliar o regime. Acima de R$ 4.800.000, a saída do Simples é obrigatória.

Fator R — atenção especial pra quem também presta serviço

Se além de vender produtos a empresa também presta serviço (ex: consultoria, sob o mesmo CNPJ), entra em jogo o Fator R: a proporção entre folha de pagamento e receita bruta dos últimos 12 meses. Fator R abaixo de 28% pode jogar a tributação de serviço para o Anexo V, mais caro que o Anexo III. Não é o cenário mais comum para quem só revende produto no ML, mas vale confirmar com o contador se a empresa tem qualquer atividade mista.

Lucro Presumido — entra em cena quando a margem é alta

Faz sentido avaliar Lucro Presumido em dois cenários: (1) faturamento já passou do teto do Simples, ou (2) a margem de lucro da operação é consistentemente maior que o percentual de presunção que a Receita usa para calcular IRPJ e CSLL no comércio. Quando a margem real é maior que a presumida, o Presumido tende a pagar menos imposto sobre o lucro do que pagaria proporcionalmente no Simples — o inverso também é verdadeiro: margem baixa, Presumido tende a sair mais caro.

Diferente do Simples, no Presumido PIS/COFINS/ICMS não estão dentro de uma guia única — a apuração fica mais complexa e o custo de contabilidade sobe. Não é uma migração para decidir sozinho: é o tipo de conta que precisa ser rodada com números reais da operação, não estimativa de blog.

Lucro Real — obrigatório em alguns casos, vantajoso em outros

Empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões/ano são obrigadas por lei a apurar pelo Lucro Real, independentemente de qualquer cálculo de vantagem. Abaixo desse teto, o Lucro Real também pode valer a pena para operações com margem muito apertada ou prejuízo em algum período, porque o imposto incide sobre o lucro efetivo (não presumido) — inclusive permite compensar prejuízo fiscal de um período no cálculo de outro. Para a grande maioria dos sellers de Mercado Livre, esse regime só entra no radar em estágio avançado da operação.

Quando revisar o regime — não é só "quando estourar o teto"

Regra prática: se você não sabe de cabeça em qual faixa do Simples sua empresa está agora, é sinal de que já passou da hora de revisar — a faixa muda o imposto, e ninguém revisa o que não está olhando.

O que o Fiscal IA calcula por trás dessa decisão

O Fiscal IA do Consultor Platinum roda esse comparativo com os números reais da sua conta — RBT12, margem por SKU, mix de produtos — em vez de estimativa genérica: alíquota efetiva pelo Anexo I com a fórmula completa (não a nominal), simulação MEI x Simples x Presumido lado a lado, alerta de proximidade de teto do MEI e sublimite do Simples, checagem de DIFAL em venda interestadual e de Fator R quando aplicável. O motor de cálculo é determinístico — a camada de IA só narra o resultado, nunca "chuta" um número.

Quer ver em qual faixa sua empresa está agora e se o regime ainda é o ideal?

O Fiscal IA está incluído em todos os planos do Consultor Platinum — inclusive no trial gratuito de 5 dias.

Simular meu regime tributário